sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Dúvidas em linha

Foto de Vânia Beliz Sexologia.
Saudações das sombras!
O tópico desta crónica é sobre a psicóloga clínica Vânia Beliz.
Há uns tempos ressaltou um artigo curioso:os jovens já podem tirar dúvidas com a sexóloga pelo "Whatsapp".
Desenvolvendo a novidade,isto só pode ser uma piada.
Em primeiro lugar,o projecto de esclarecimento não tem nada de sigiloso como a própria refere porque o número de telemóvel fica identificado;segundo,abre portas para as brincadeiras de mau gosto e último,ela não é uma amiga para ser adicionada na aplicação e aqui é que faz confusão.
Após a leitura do artigo,conclui-se que o método além de ser contraditório,é anti-ético e não deixa a pessoa à vontade.É um terreno fértil para os inibidos e reprimidos se esconderem atrás do aparelho.
Se é para toda a família (e outras pessoas),não é assim que ela vai conseguir alcançar,ainda por mais estando associado a um preservativo torna-se num grande entrave a quem procura simplicidade e anonimato nas respostas,obviamente claro dirigido aos que possuem um grau de compreensão tecnológico.
Mais vale ser apologista da pessoa ou jovem se dar ao trabalho de cultivar do que esclarecer dúvidas através de mensagens.
Esta forma de aconselhamento é uma autêntica desvantagem:perde-se o contacto cara-a-cara,tempo a digitar e a trocar,não dá para alongar muito e depois há centenas de pessoas em linha à espera de serem atendidas.
Os jovens só vão recorrer a esse serviço por estar à mão,visto a aplicação ser popular,especialmente nesta camada.
Ao mandar a mensagem,talvez ela peça para dizer se é menino,menina,homem ou mulher,idade e nome outra desvantagem captada do projecto.
Por "Whatsapp" não se pode adivinhar o tom em que foi escrito por ser demasiado informal:nesse tipo de comunicação estabelecida,há artificialidade,ou seja,a sexóloga no fundo está a banalizar a sessão de dúvidas,um assunto relevante,delicado e que atravessa também outras faixas etárias.
A Vânia Beliz não passa nenhuma credibilidade igual à Marta Crawford:enquanto uma aborda o tema de forma convencional e fora da realidade,esta implanta ideais feministas quando na verdade não diz respeito ao trabalho,é um modelo de criação pessoal e os pais não deviam permitir (ou pelo menos estarem atentos para os jovens não absorverem imbecilidades)!
O feminismo é anti-democrático e aproveita-se da desestrutura moral e do vazio para influenciar:a corrente é segregadora e a página dela (e o perfil) deixa muito a desejar...basta ir lá comprovar.
A profissional devia ter pensado numa ideia para se aproximar ao vivo dos adolescentes sem lhes causar embaraços,intervindo por exemplo,em escolas,distribuindo inquéritos,fazendo estudos,impingindo programas curriculares em ciências e marcando palestras em auditórios para dar formação ao público-alvo pretendido com o objectivo de alargar horizontes,dinamizar,promover o diálogo para uma intimidade satisfatória e simultaneamente divulgando o seu trabalho.Tem de suscitar um debate porque o tema mexe com todos!
O aconselhamento por mensagem de "Whatsapp" retira totalmente o papel de psicóloga clínica...isto chama-se ignorância porque no espaço digital instântaneo,não sobra tempo de analisar o conteúdo:descobrir o contexto social da pessoa,a experiência vivida,o ambiente familiar e em linha é impossível relacionar a dúvida ao parente do adolescente e tentar chegar a um acordo.
Os dados são vagos e há falta de sentimentalidade.Como é que ela vai confirmar a veracidade através de um princípio muito conformista?O conselho é individual mas devia ter em conta os valores do adolescente a fim de não provocar atritos,ela é meramente uma intermediária e devia fazer jus ao nome e não substituir nem doutrinar!As gerações seguintes vão-se ressentir com esta abertura.
Se prevalecem as mesmas dúvidas,significa que alguém ensina ou explica mal devido ao pudor não assumido e esta técnica utilizada não vai ajudar a pessoa,só serve para mostrar que é moderna.
Por "Whatsapp" pode-se inventar uma história e testar alguma reacção...praticamente vai-se perder tempo a pensar e a escrever e este projecto não é fácil como foi afirmado no artigo,pois requer uma agilidade supersónica para responder a muita gente!!!
Com tanto para falar dentro desta área,foi logo expôr um número de telemóvel e ser invasiva?As coisas só vão evoluir a partir do momento em que os sexólogos romperem com os clichés...é preciso adquirir conhecimento,renovar e elaborar sondagens para orientar o adolescente.
Apesar de ser uma profissional em linha,há que evitar aconselhar como se tratasse de uma criança,tudo depende da linguagem e ninguém é parvinho.
Um detalhe:se um preservativo é para maiores de 18,porque é que ela vai mostrar essa gama toda aos menores?Com a desculpa de iniciarem a vida sexual cedo?Quebrar esta regra é grave.
Este projecto sigiloso por mensagem de "Whatsapp" não convence,está mais para suprimir a carência da pessoa sem ser julgada e a Vânia Beliz como psicóloga clínica não devia esquecer de abordar esta parte,é dever deles consciencializar da naturalidade do tema!!!
Ela como educadora devia ser uma referência,aplicando a terapia presencialmente à medida do relato.Isso aí é a velha questão do conforto momentâneo,ela devia "mergulhar" na profissão que certamente iria aprender muito.
Uma sexóloga que lida com jovens devia manter-se primeiro actualizada antes de ajudar alguém.
Exibir o estatuto pertence ao passado,é suposto ter vocação em vez de aparecerem psicólogos clínicos a causarem polémica e a lançarem livros.
E já agora:se associaram o número de telemóvel à marca "Control",não será que anda por aí marketing encapotado?
Resumindo,esclarecer dúvidas sigilosas em linha não é a solução no combate ao preconceito.

Sem comentários:

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