terça-feira, 25 de maio de 2010

Uma discussão nesta santa Terra portuguesa acaba sempre aos berros

Não há maneira. Por mais boa vontade que tenham todos, uma discussão nesta santa terra portuguesa acaba sempre aos berros e aos insultos. Ninguém é capaz de expor as suas razões sem a convicção de que diz a última palavra. E a desgraça é que a esta presunção do espírito se junta ainda a nossa velha tendência apostólica, que onde sente um náufrago tem de o salvar. O resultado é tornar-se impossível qualquer colaboração nas ideias, o alargamento da cultura e de gosto, e dar-se uma trágica concentração de tudo na mesquinhez do individual.


Miguel Torga, in "Diário (1940)"

Estado frenético de tagarelice

Assola o país uma pulsão coloquial que põe toda a gente em estado frenético de tagarelice, numa multiplicação ansiosa de duos, trios, ensembles, coros. Desde os píncaros de Castro Laboreiro ao Ilhéu de Monchique fervem rumorejos, conversas, vozeios, brados que abafam e escamoteiam a paciência de alguns, os vagares de muitos e o bom senso de todos. O falatório é causa de inúmeros despautérios, frouxas produtividades e más-criações.
Fala-se, fala-se, fala-se, em todos os sotaques, em todos os tons e décibeis, em todos os azimutes. O país fala, fala, desunha-se a falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O país não tem nada a dizer, a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de aturdimento mais à mão.
(...) Telefones móveis! Soturna apoquentação! Um país tagarela tem, de um momento para o outro, dez milhões de íncolas a querer saber onde é que os outros param, e a transmitir pensamentos à distância.
Afortunados ventos que batem todas as altitudes e pontos cardeais e levam as mais das palavras, às vezes frases inteiras, parágrafos, grosas deleas, para as afogar no mar, embeber nos lameiros de Espanha, gelar nos confins da Sibéria, perder nas imensidades do éter. É um favor de Deus único e verdadeiro. O país pereceria num sufoco, aflito de rouquidões, atafulhado de vocábulos, envenenado de sandices, se a Providência caridosa lhos não disseminasse por desatinadas paragens.

Mário de Carvalho, in "Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina"

Jessica Rabbit

Admiro muito esta personagem...cheia de volúpia e de uma beleza incomum.
Lembro-me de quando era pequena vi um filme do Roger e da Jessica Rabbit,gostei muito!Aliás,nunca vi um cartoon tão bem desenhado e tão perfeito.

Crescer à força

Boa tarde pessoal,tudo em cima?
Quantos de vocês já viram jovens em idade escolar que crescem à força?
Pois é verdade.As crianças e jovens desta era,crescem à força rapidamente e em todos os sentidos:Compram roupas de marca,fazem grupos de um certo estilo,ouvem músicas dos seus ídolos,a maior parte são muito altos,todos desde cedo têm contacto com telemóveis,i'pods,pc's e outras tecnologias que os mantêm entretidos,utilizam msn's,redes sociais e navegam na net tal como os mais velhos.
Mas é claro que acima de tudo eles crescem a um ritmo alucinante nas relações e nos afectos,como todos nós sabemos.
Pessoas com 15 anos agem e comportam-se como se tivessem 37,de 20 com mentalidade de 40 e crianças com problemas de velhos.
Também é certo que há muitos que se armam em heróis e pensam que são grandes e depois não sabem defender.
A mentalidade tem de corresponder à idade.



*A dona deste blog deseja-lhe um bom resto de dia.*(cheia de luz e magia!)
"O discurso é o rosto do espírito." Séneca
"A vida é uma simples sombra que passa (...);é uma história contada por um idiota,cheia de ruído e de furor e que nada significa." William Shakespeare
"O homem que não tem vida interior é escravo do que o cerca" Henri Amiel
"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão" Cesare Pavese .