quarta-feira, 5 de outubro de 2016

As chagas do Pedro Freitas

O tópico desta crónica é uma observação acerca de um escritor contemporâneo.
Pedro Chagas Freitas é um escritor bastante reconhecido há mais de uma década que escreve romances de cordel,com um forte apelo à sensibilidade patética e melosa nos textos,dotado de uma imaginação fértil,incorporando todas as personagens e reproduzindo com precisão o drama,pois um romance baseia-se em projectar tudo aquilo que o autor não é na realidade e construir perspectivas fictícias ou a partir de experiências vividas.
Ora passando ao desenvolvimento,esta chaga lançou recentemente um jogo chamado "Fábrica da escrita" para miúdos e graúdos com o objectivo de aprender a gramática da língua portuguesa e a pontuação bem como "O supergénio" da Science4you,sabe-se lá para quê.
Não é através de um jogo didáctico ao estilo monopólio que os jovens vão aprender a escrever,pelo contrário,o jogador vai levar na brincadeira e não vai reter nada por ser básico,ou seja,é o equivalente a ter um jogo para ensinar as pessoas a contarem...sinceramente o que isso acrescenta?Ele ainda expôs no FB alguns testemunhos de pais e professores a dizer que o jogo melhorou as notas dos mais novos:mais uma excelente estratégia para influenciar o público a adquirir e nem sequer diz em que sítios se vende.
Em relação ao Chagas,na página ele publica excertos dos livros editados e entretém o alvo (a maioria acima dos 35) com histórias bacocas e rascas a remeter as revistas cor-de-rosa fúteis e desprezíveis de tanto sentimentalismo exagerado.
Pelo que é dito,o autor é coordenador de uma espécie de workshop de criação de obra para descobrir um novo escritor (ou poeta) por uma competição (ideia terrivelmente de mau gosto),possivelmente ele está a aproveitar a situação para depois editar mensagens e ser exaltado pelos otários dos seguidores que acreditam ser tal como ele se apresenta.
A escrita é subtil,portanto de fácil compreensão e transmite a impressão de ser um mulherengo encapotado,tornando-se irritante de ler;as citações partilhadas são parvas,chatas,há algumas sem lógica e outras pirosas retiradas dos próprios livros,roçando a um homem indefeso e chorão e por isso não pode ser considerado um autor exemplar neste aspecto só por ser masculino,é injusto e triste porque se fosse feminino não seria aceitável nem teria o mesmo sucesso e ia receber os piores rótulos e ser acusada de perpetuar estereótipo de género...nisso a sociedade é machista e não abre os olhos!!!Os romancistas masculinos são todos "farinha do mesmo saco",só muda o modelo.
Os homens já dominaram a literatura ao longo da história,agora devia ser a vez das mulheres,depois é escusado queixar que não existem romancistas femininas:apenas estão a ser desvalorizadas quando se devia incentivar a escreverem.
Neste caso,ele não usa linguagem obscena nem excesso de metáforas para cativar,logo já ganha muito nos critérios.Não há segredos a esconder por ter alcançado milhões de seguidores,uma vez que eles aparecem naturalmente pelo autor ter visibilidade na imprensa.Ele só se distingue pelo nome ser de referência nacional.
A praga do Chagas emprega asneiras de vez em quando para enfatizar e realçar os textos (geralmente em forma de cartas ou conselhos dirigidos a alguém) não havendo no entanto problema nenhum porque o Miguel Esteves Cardoso também emprega asneiras mas de um modo expressivo,desajeitado e principalmente hilariante e não de um modo sério e vitimista.
"O engraxanço e o culambismo português" é um dos textos mais marcantes que reflecte o pensamento deste autor e é o único que se salva e é original.
É óbvio que um romancista tem de ter conta,peso e medida:procurar um ponto de equilíbrio a fim de evitar que o leitor se aborreça.
Os discursos do Chagas revelam tédio,é uma praga autêntica...difícil perceber se é ele que tem falta de noção ou se são os seguidores que o alimenta...a descrição na página profissional é informal e talvez nem seja um autor credível como ele passa a imagem.
Em suma,o Pedro Chagas Freitas é uma praga literária antiga.

Sem comentários:

"O discurso é o rosto do espírito." Séneca
"A vida é uma simples sombra que passa (...);é uma história contada por um idiota,cheia de ruído e de furor e que nada significa." William Shakespeare
"O homem que não tem vida interior é escravo do que o cerca" Henri Amiel
"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão" Cesare Pavese .