segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Com o cu na cara

O tema desta mensagem vai ser uma dissertação sobre as tão aclamadas danças (in)vulgares.
Nos dias que correm,há uma explosão de danças tribais que durante muitos anos foram exclusivamente de pessoas provenientes desses países.
O kuduro foi o primeiro a gerar uma onda de preconceito:as batidas eram fortes e só era famoso entre os africanos.
Os europeus abominavam devido ao teor e às raízes primitivas.
Mais tarde,apareceu um estilo da mesma variante chamado créu,que consistia em bater com o cu no ar (ou em alguém),remetendo para posições eróticas,tendo rapidamente desaparecido.Seguiu-se o reggae e o rebolado.
O funk foi um género musical nascido nos bairros de lata do Brasil,fortemente contestado pelas letras obscenas,batidas ensurdecedoras e pelo cariz degradante.
A dança foi associada aos traficantes de droga e às mulheres vulgares mas teve êxito num ápice,principalmente a moda da "ostentação" a fazer sucesso.
Há várias maneiras de dançar:com os joelhos e pernas flectidas,tremer o cu em fila,no chão em posição de espargata,etc.
Já o twerk é o funk americano que consiste em abanar o cu em qualquer maneira,até a fazer o pino.A única diferença é ser alguém da raça europeia a inventar isso.
Enquanto que as três primeiras danças são de minorias étnicas e vendem pouco se os artistas forem da própria origem,já esta última,é um exemplo de como o comportamento do público muda quando se trata de um branco a lançar a moda no mercado!
Depois de Miley Cyrus fazer sucesso com a dança,o twerk surtiu imediatamente efeito viral entre as mulheres americanas e europeias,que estranhamente não aconteceu com os outros géneros da mesma corrente já existentes.
Na verdade,nenhuma destas merdas são danças e sim apelos sexuais,só muda o nome.
O mesmo se passa com a música,que também não é preciso explicar muito:temos o Eminem,um rapper branco e Shakira,uma columbiana com as danças do ventre e o abanar das ancas.
Os órgãos de comunicação promovem uma imagem estereotipada de cada um desses géneros musicais...se não discriminassem,talvez hoje até os asiáticos dançariam livremente mas eles só fazem alarido e dão mais valor quando a novidade surge dos norte-americanos.
CUrioso,na altura do KUduro ninguém debateu a vulgarização feminina por se pensar ser uma questão cultural.Agora todos se lembraram por causa da exportação do funk e do exibicionismo gratuito da parte de outras nacionalidades...isto é resultado de memória curta e hipocrisia.
A posição assumida pela sociedade deixa uma pessoa de fora com o cu na cara:o twerk é constrangedor e afirmar o contrário é não ter a capacidade de discernir entre a linha de danças eróticas e das desprezíveis.
O resto são mil pretextos usados para se ganhar visibilidade e se apropriar de ritmos de grupos minoritários.
Portanto,como tremer as peidolas estragadas não tem nenhum intuito,isto não pode ser considerada dança.

Sem comentários:

"O discurso é o rosto do espírito." Séneca
"A vida é uma simples sombra que passa (...);é uma história contada por um idiota,cheia de ruído e de furor e que nada significa." William Shakespeare
"O homem que não tem vida interior é escravo do que o cerca" Henri Amiel
"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão" Cesare Pavese .