terça-feira, 20 de abril de 2010

A influência e o poder dos media

Ética, Comunicação e Sociedade

Influência da comunicação social na opinião pública



Introdução

A ideia de que a imprensa, a rádio e o cinema podem influenciar e manipular os indivíduos, vem desde o final dos anos 30, princípios dos anos 40.
O Poder politico tenta usar os media em proveito próprio, principalmente a imagem: ela vale mil palavras. Mas em assuntos delicados e comprometedores ele zela cuidadosamente para que não circule nenhuma imagem. Neste caso trata-se de uma forma de censura, nem mais nem menos. Os relatos escritos, os testemunhos orais podem ser apresentados dado que nunca irão provocar o mesmo efeito. O peso das palavras não se compara ao choque das imagens. A imagem, quando é forte, apaga o som e o olhar transporta-a até ao ouvido. Deste modo hoje existem por aí imagens sob forte vigilância, ou até mesmo, proibidas, que é a maneira mais precisa de segurá-las.
À medida em que a nossa civilização se desenvolve, parece haver uma indiferença cada vez maior das pessoas perante a vida humana. Ninguém se espanta quando o noticiário da televisão exibe assassinatos ou acidentes horríveis. Este comportamento de indiferença pode ser explicado, em parte, pelo facto de os programas de televisão se caracterizarem, na sua grande maioria, pela indeterminação do tempo e do espaço. Num determinado momento, pode-se estar a falar sobre a vida dos indígenas na Europa do século XV e alguns segundos mais tarde na explosão de um vulcão no Japão e, mais alguns segundos depois, aborda-se um acidente de avião ocorrido noutra cidade. Esta variação rápida de tempo e espaço não permite que o nosso cérebro faça um julgamento adequado dos acontecimentos, acabando por esquecer alguns dos detalhes.

Percepção dos meios de comunicação social como “não-problema”

O indivíduo tem tendência a não associar mensagens que entrem em contradição com a sua forma de pensamento. Tem tendência a ouvir apenas o que vai ao encontro das suas opiniões. O receptor procede a uma percepção selectiva ligada à sua interpretação, filtrando a mensagem em função do seu pensamento. Esta filtragem pode levar à alteração da mensagem inicial, ou seja, as pessoas que consomem as visões do mundo produzidas pelos media também as reinterpretam de maneira diferente de acordo com as suas tradições, religiões e, de uma forma geral, de acordo com a sua ética.
A comunicação social tem um papel fundamental na opinião, pois sem a presença de uma informação vinda de fora a opinião não era formulada. Mas a única opinião formulada é aquela para a qual o indivíduo já está predisposto. Conteúdos que eventualmente contrariem a sua crença são geralmente descartados.
De acordo com esta perspectiva, os meios de comunicação são um não-problema, já que a base da opinião se encontra basicamente dentro de cada cidadão, nas suas limitações éticas, nas suas preocupações e não na informação despejada pelos media.

Influência da comunicação social

Vivemos numa actualidade em que a televisão aposta muito em novelas e desenhos animados violentos. Será isto uma boa influência? Vejamos: as novelas retratam a vida do público ou tentam criar uma imagem do dia a dia de cada indivíduo, mas se analisarmos bem, quantos divórcios ocorrem em cada novela? Quantas crianças faltam às aulas? Quantas desobedecem aos pais? Quantas fazem asneiras? No meu ponto de vista as pessoas por vezes esquecem-se que aquilo é ficção e que a vida é a realidade. Algumas ficam preocupadas com o que aconteceu na novela e esquecem-se dos problemas do dia-a-dia. Outras seguem a novela como exemplo e não se preocupam se desrespeitam os pais, os educadores e outros indivíduos.
Isto é considerado normal, pelo menos na novela.
Por outro lado, a televisão tem um efeito preponderante na educação, como é o caso dos documentários, debates, etc, que desenvolvem uma cultura melhor, uma melhor argumentação, um aprofundamento de novas linguagens e uma visão do mundo que não está ao alcance de todos os indivíduos, podendo contribuir para mudanças de atitude e de respeito pela diversidade.
A publicidade em ajudas humanitárias também tem uma grande importância, porque mostra às pessoas os problemas a que a humanidade está sujeita, como é o caso de doenças incuráveis como a SIDA ou o cancro, ou também problemas derivados à escassez de rendimentos por parte de algumas famílias, o que leva à fome ou a algumas limitações.

A televisão é muito utilizada para efeitos de marketing, influenciando o público a comprar determinados produtos. Na altura do Natal são imensas as publicidades feitas a todo o tipo de brinquedos, para que as crianças peçam aos seus pais aquela boneca que viram na televisão ou aquele carro e para não falar na quantidade de propaganda feita aos telemóveis. É um absurdo, leva a que as pessoas queiram comprar um outro topo de gama porque tem mais funcionalidades, ou porque é mais bonito, ou porque cabe no bolso ou até porque dá para vestir com umas calças mais apertadas. De facto é impressionante como a televisão influencia o consumismo da população.

Manipulação da opinião pública

A televisão influência, e muito, o consumismo da população. Em muitos dos casos só se compra um produto porque apareceu na televisão. Por exemplo imaginemos que estamos a comprar um perfume e hesitamos em qual das marcas escolher; muito provavelmente vamos comprar a marca de que mais nos falaram. Ora o mesmo acontece no caso de estarmos numa cabina de eleições. Se estivermos indecisos em qual dos políticos votar, votamos no que mais ouvimos falar.
O público em geral apenas analisa os políticos pela imagem que eles nos dão, pelo que assistimos na TV. O que o público quer é vê-los no seu comportamento quotidiano, no universo da sua vida privada. Os políticos pouco poder têm sobre os problemas da vida: o desemprego, a pobreza… O que conta é a generosidade, a qualidade de relacionamento para com os cidadãos, e é por meio da televisão que se pode fazer uma ideia da simpatia de um homem público. Mas o que nos garante que essa informação que a TV transmite é a realidade? O político pode muito bem ir a uma festa do povo, uma feira por exemplo, e chamar os media para assim influenciar a opinião pública. É o que se vê hoje, em dia de campanha. É difícil dizer qual o político mais “bondoso”; eles visitam lares, escolas, etc. De certo modo é isto que o público quer, mas também é pedida a maior das sinceridades, que por vezes não é cumprida. Apenas como exemplo e não querendo dizer nada em concreto: “o presidente dos EUA, no dia do atentado de 11 de Setembro de 2001, encontrava-se no meio de uma sala de aula com crianças quando o informaram que as torres gémeas tinham sido atacadas”. Pode ter sido apenas uma coincidência mas... e se não foi?
O jornalismo pode ser também usado como forma de manipulação da opinião pública. O trabalho jornalístico consiste em recolher várias informações dispersas e distribuí-las pelos meios de comunicação. O consumidor que lê um jornal ou assiste a um noticiário não tem como verificar se essa notícia realmente aconteceu. Ele confia no jornal ou no noticiário. Esta incapacidade de comprovação leva a que possam ocorrer notícias irreais apenas para o aumento das audiências ou para manipulação da opinião pública. A confirmação da confiança que se concede a um determinado noticiário só poderá ser efectuada pelos noticiários concorrentes que apresentam o mesmo conteúdo. Ou seja, se um jornal apresenta uma notícia falsa ou deixa de relatar algo que tenha relevância, os seus concorrentes irão denunciar a fraude ou a omissão, em busca de benefício próprio, mas actuando em proveito do público.



Por vezes os meios de comunicação são alvo de censura por parte do governo, ou por forças maiores, ocultando informações importantes que não convém que venham a público. O caso da guerra do Golfo, em que os jornalistas foram proibidos de mostrar aquilo que queriam,vendo-se obrigados a que todos os despachos fossem visados pela censura militar antes de serem enviados assim como à interdição de fornecer detalhes sobre as perdas e destruições importantes que ocorressem no campo de batalha.
A falsificação de informação é uma realidade bem presente nos media, desde falsificação de programas de entretenimento, de notícias, de documentários, etc. Por exemplo, quando o telespectador telefona para um programa de entretenimento com o intuito de, quem sabe, ganhar algo respondendo a uma simples pergunta, quem nos garante a fiabilidade do concurso? Será que os resultados não são manipulados?
Também existem programas em que actores são contratados com a finalidade de se fazerem passar por simples pessoas que foram enganadas ou que perderam algum familiar e que o querem encontrar. Isto tudo para “comprarem” audiências e a atenção do público.


Com o avanço tecnológico que estamos a viver é cada vez mais fácil falsificar notícias e imagens. Com a tecnologia digital tudo é possível, fácil e nada caro. Todas as modificações em fotografias existentes, todos os truques, toda a técnica de digitalização estão acessíveis a todos, podem alterar tudo sem que possamos defender-nos disso.

Imprensa

A comunicação social encontra-se dominada pelo mercado e pelo lucro. A vida íntima das pessoas públicas torna-se noticia para qualquer noticiário ou para qualquer revista. Os paparazzi não são mais do que o resultado da situação geral dos meios de comunicação. Estes fotógrafos, cuja profissão consiste em surpreender vedetas e celebridades na sua intimidade e cuja função tem como finalidade tornar pública a vida privada, sobretudo quando é suposto que essa privacidade continue a ser privada, perseguem, “caçam”, vivem em “esconderijos” e preparam “emboscadas” sempre prontos a dispararem flashes quando menos se espera.

Conclusão

Estas ocorrências alertam para o facto de, nos dias de hoje a manipulação da informação ser  bastante perigosa. Embora seja um dado adquirido que a informação é manipulada pelos poderes instalados, quer sejam económicos ou políticos, torna-se cada vez mais difícil conseguir efectuar essa manipulação sem que, mais cedo ou mais tarde, se seja penalizado por isso.
Com os progressos quase diários a nível tecnológico, é difícil para o poder político controlar os meios de comunicação. Com o aparecimento da Internet a informação rapidamente se transmite e chega aos cidadãos. Nas sociedades democráticas é cada vez mais importante,quer para os media quer para os órgãos e instituições políticas, obter o consentimento e o apoio da população.
Os meios de comunicação social são a forma de as pessoas se sentirem em contacto com o mundo desconhecido, estando constantemente informadas quer sobre acontecimentos mediáticos quer sobre catástrofes naturais ou até mesmo doenças mortais. Desta forma tornam-se importantes os meios de comunicação para divulgar e prevenir o alastramento de certos tipos de vírus que possam contagiar um maior número de indivíduos, como foi o caso da gripe das aves, em que rapidamente toda a população dos países envolvidos tomou conhecimento das medidas preventivas que poderia adoptar de forma a não ser contagiada. Esta rápida divulgação apenas foi possível recorrendo aos meios de comunicação social.

Fonte:Ética,comunicação e sociedade,escola superior de tecnologia de Tomar


*A dona deste blog deseja-lhe um bom resto de dia.*(cheia de luz e magia!)


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