domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os meus doces dezasseis ♥

Saudações!
Como puderam ver,eu tinha feito uma pausa nas publicações de mensagens mas agora estou outra vez de volta para relatar uma experiência que tive na adolescência.
Aos que costumam estar atentos ao blogue,já sabem que vou escrever um tema pouco habitual.
Nas últimas semanas tenho tido flashbacks de um amor platónico muito forte e proibido que vivi quando andava no secundário.
Mal o vi no primeiro dia,pressenti logo que eu ia ter um ano atribulado:aparvalhava-me vezes sem conta,dizia disparates,perturbava as aulas e chateava-o com lamechices dentro e fora das aulas e era hilariante.
Já ele era um jovem universitário todo podre de bom e de um olhar penetrante,do qual a minha turma o via como irmão mais velho.(mas eu não me aguentava!)
À medida que o ano ia correndo,ele tanto era histérico como persuassivo,aliás,houve um dia em que eu cheguei a perguntar se ele se drogava,até porque ele conseguia estar aos gritos todos os dias,era constantemente activo,conversava sem se cansar e tremia de ansiedade.
Havia outros dias em que quando os meus colegas elogiavam-no ou dizia piadas,ele gostava mas comigo era sempre diferente.
Apesar de tudo o que se passou,o mais curioso foi o facto de eu ter conseguido positiva nessa disciplina,onde ainda por cima fazia palhaçadas.
Mais tarde tinha chegado uma altura do ano em que eu me tinha tornado um "saco de pancada" dos seus problemas sem qualquer hipótese de diálogo.Aqui eu penso que ele viu em mim alguém fraca e a partir daí entrei numa espiral descendente de ir "do caixão à cova".
Também me irritava o facto do gajo me comparar a ele quando era pequeno!!!
O ano desta disciplina teve muitos altos e baixos:Era insuportável ir às aulas onde um jovem com a carreira em ascensão fazia "tempestades num copo de água" e tinha pouca autonomia para lidar com os outros jovens.(a stôra coordenadora é que o encobria frequentemente)
O mais irónico é que todas as loucuras e rebeldias acontecem justamente onde todos estão mais expostos! XD XD
Os meus dezasseis anos foram recheados de doçura e amargura,"engoli um grande elefante" à custa daquele covarde (que me tratava muito mal,ignorava muitas vezes as actividades que eu fazia e que só mais tarde revelou que eu era muito inteligente) mas sempre fui justa e consciente dos meus actos e no fim fui a única a chumbar de ano com dignidade.
Sabem meus queridos leitores,quando se é adolescente e se tem afinidades e uma ligação muito forte,correspondida e enternecedora com um jovem adulto,essa pessoa (e as que rodeiam) nunca leva a sério...no meu caso foi a primeira vez que me apaixonei por um amor proibido...apesar dos atritos,até hoje não consigo esquecer aquele homem que tanto abalou e desgastou o meu lado emocional.
É certo que houve entre nós muita falta de respeito mas o que mais me magoa saber é que um estágio,para um aluno é uma aula normal mas para um professor é um teste para conseguir o cargo.
Com este relato pretendo transmitir que ninguém vai ter dezasseis anos para sempre:deixem fluir as emoções do momento,quer façam figuras tristes ou rebeldias,exprimam-se,pois quando deixarem de estudar,eu vos garanto que só vos vão restar lembranças de uma fase que já não volta mais.
Eu ainda sei de cor a matrícula do carro dele e ele também topa-me à distância,caso raramente o veja...agora acho que nunca mais na vida vou sentir algo tão arrebatador para contar (onde,sobretudo a história acabe bem) como os meus doces dezasseis anos.

Sem comentários:

"O discurso é o rosto do espírito." Séneca
"A vida é uma simples sombra que passa (...);é uma história contada por um idiota,cheia de ruído e de furor e que nada significa." William Shakespeare
"O homem que não tem vida interior é escravo do que o cerca" Henri Amiel
"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão" Cesare Pavese .